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Que módulo se adequa a cada instalação?

Que módulo se adequa a cada instalação?

Com a generalização da tecnologia n-type, a seleção de módulos deixou de ser uma simples comparação de preço por watt. O comportamento perante o calor, a resposta em condições de luz difusa ou a degradação após duas décadas de operação têm hoje tanto peso como a potência nominal indicada na ficha técnica.

Neste artigo analisamos a base tecnológica da gama DeepBlue 4.0 Pro da JA Solar, a sua célula Bycium+ e os três formatos bifaciais de vidro duplo com os quais cobre aplicações desde coberturas residenciais até centrais fotovoltaicas no solo.

 

O fabricante

A JA Solar foi fundada em 2005, tem sede em Pequim e figura há vários anos entre os maiores fabricantes de módulos do mundo, com presença contínua na lista Tier 1 da BloombergNEF, consultada por bancos e fundos no financiamento de projetos.

É um fabricante verticalmente integrado: lingote, wafer, célula e módulo são produzidos dentro da própria empresa. Num módulo n-type, esta integração é mais relevante do que pode parecer, porque a qualidade do wafer condiciona o desempenho e a vida útil do produto final.

O wafer da JA Solar é de desenvolvimento próprio, com baixo teor de oxigénio e um elevado tempo de vida dos portadores minoritários.

 

A tecnologia: célula Bycium+ n-type

Bycium+ é a implementação da JA Solar da tecnologia de contacto passivado n-type, a tecnologia TOPCon que domina atualmente o mercado.

A principal vantagem do n-type face ao PERC, instalado massivamente na última década, está no material: menor densidade inicial de defeitos, degradação induzida pela luz praticamente nula e um envelhecimento muito mais previsível.

A célula atinge 725 mV de tensão de circuito aberto e uma eficiência de 25,3% em produção em série. Ao nível do módulo, combina-se com interligação SMBB e encapsulamento de alta densidade.

Na prática, a diferença traduz-se em quatro pontos:

Maior produção do que um p-type equivalente

A JA Solar e a TÜV NORD mediram durante um ano, com base empírica, a produção das duas tecnologias em paralelo. O módulo n-type com célula Bycium+ produziu cerca de 3,9% mais.

É um dado obtido em campo, não em laboratório.

Melhor comportamento perante o calor

O coeficiente de temperatura situa-se em torno de −0,29%/°C, mais favorável do que o do PERC.

Em zonas onde o módulo funciona a temperaturas elevadas durante uma parte significativa do ano, esta diferença acumula-se mês após mês no rendimento específico (kWh/kWp).

Desempenho com luz difusa

O módulo começa a produzir mais cedo de manhã, mantém a produção até mais tarde e apresenta menores perdas em dias nublados.

Degradação reduzida e elevada bifacialidade

Menos de 1% de degradação no primeiro ano e cerca de 0,40% ao ano a partir do segundo, com 12 anos de garantia de produto e 30 anos de garantia de desempenho linear.

O fator de bifacialidade é de 80% ± 5%.

 

Os três formatos da gama

A nomenclatura da JA Solar é relativamente simples de interpretar. Em JAM72D40-605/MB:

  • JAM identifica o módulo monocristalino.
  • 72 corresponde ao número de células completas (144 meias células em formato half-cut).
  • D identifica a tecnologia n-type de vidro duplo.
  • 40 corresponde à geração do wafer.
  • 605 indica a potência nominal.
  • /MB, /LB ou /GB distingue variantes construtivas dentro da mesma série, principalmente pela configuração do vidro e da moldura.

É importante prestar atenção a este sufixo, porque existem referências quase idênticas com diferenças reais de peso, espessura do vidro e carga admissível, o que afeta o cálculo estrutural e o manuseamento durante a instalação.

Série Células Intervalo Moldura Aplicação
JAM60D42 /LB 120 (6×20) 515–540 W Preta Residencial e comercial
JAM72D40 /MB 144 (6×24) 580–605 W Prateada Coberturas C&I e solo
JAM66D46 /LB 132 (6×22) 695–720 W Prateada Solo e grandes coberturas

JAM60D42 /LB — residencial e comercial, moldura preta

120 meias células (6×20) e um intervalo de potência entre 515 e 540 W.

É o formato indicado para coberturas residenciais e comerciais de dimensão mais reduzida, onde um módulo de 72 células pode ser excessivo, tanto para a estrutura da cobertura como para o seu manuseamento em telhados inclinados.

A moldura preta merece uma referência específica, uma vez que não responde apenas a uma preferência estética: há clientes que a exigem, condomínios que a impõem e municípios que a incluem entre as condições de licenciamento quando a cobertura é visível da via pública.

O valor deste formato está em responder a esse requisito sem abdicar da célula n-type nem da construção de vidro duplo utilizada no resto da família.

Em telhados inclinados, onde cada intervenção de manutenção pode ser dispendiosa, a durabilidade adicional do vidro duplo constitui também um argumento relevante.

JAM72D40 /MB — o formato de referência para C&I

144 meias células (6×24) sobre wafer de 182 mm, com potências entre 580 e 605 W.

É o formato de referência da gama para edifícios industriais e instalações no solo. Com dimensões de 2.278 × 1.134 × 30 mm e um peso aproximado de 31,8 kg, continua a ser manuseável apesar da construção em vidro duplo.

A construção utiliza vidro-vidro de 2,0 mm em cada face, com tratamento antirreflexo na face frontal e vidro termoendurecido na posterior; moldura de alumínio anodizado, caixa de junção IP68 com três díodos de bypass, conectores MC4-EVO2, tensão de sistema até 1.500 V e cargas admissíveis de 5.400 Pa na face frontal e 2.400 Pa na posterior.

Oferece potência suficiente para reduzir o número de módulos e a cablagem da instalação, sem recorrer a formatos de grande superfície que tornam a montagem mais complexa.

JAM66D46 /LB — o topo de gama em potência

É o formato de maior potência da gama: 132 meias células (6×22) com 16 busbars, entre 695 e 720 W, e uma eficiência de 22,9% na referência de 710 W, com dimensões de 2.384 × 1.303 × 33 mm.

Mantém a construção de vidro duplo, a bifacialidade de 80% ± 5%, as cargas de 5.400/2.400 Pa, a caixa IP68 e a arquitetura de 1.500 V, com certificação IEC 61215 e IEC 61730.

O seu principal argumento é o custo do balanço do sistema (BOS): ultrapassar os 700 W por módulo reduz o número de unidades necessárias para a mesma potência instalada e, consequentemente, a estrutura, a cablagem, as ligações e as horas de montagem.

Em centrais fotovoltaicas no solo, esta poupança tende a ter mais peso do que a diferença de preço por watt entre formatos.

Como contrapartida, um módulo com esta superfície exige mais pessoal e maiores cuidados durante a elevação e instalação, não sendo a melhor opção para coberturas fragmentadas ou de difícil acesso. É preferível considerar este fator logo na fase de projeto.

 

O elemento comum: o vidro duplo bifacial

Os três formatos partilham a decisão construtiva que mais condiciona o comportamento do módulo a longo prazo.

Ganho bifacial

Com um fator de 80%, a face posterior aproveita a radiação refletida pela superfície onde o sistema está instalado.

Sobre coberturas brancas ou gravilha clara, o incremento pode ser significativo; sobre asfalto, é marginal. Por isso, é aconselhável introduzir o albedo real no dimensionamento em vez de assumir automaticamente o ganho bifacial.

Durabilidade

O segundo aspeto é menos referido e provavelmente mais importante: a durabilidade.

Um vidro posterior não envelhece como uma lâmina polimérica: não delamina nem sofre hidrólise e apresenta maior resistência à humidade, ao stress mecânico e ao fogo.

Desta construção resulta uma degradação anual de 0,40% durante 30 anos, um fator que, em última análise, determina a produção acumulada do projeto.

 

Especialização: ambientes exigentes

Enquanto outros fabricantes desenvolveram variantes associadas a requisitos regulamentares, como o encandeamento ou a classificação de reação ao fogo, a JA Solar orientou a sua especialização para ambientes onde um módulo convencional envelhece prematuramente e os custos de limpeza e manutenção comprometem a rentabilidade.

DesertBlue

É o módulo da marca destinado a zonas áridas, com até 650 W e 24% de eficiência.

O seu principal elemento diferenciador é um revestimento autolimpante à escala nanométrica, com uma microestrutura densa e propriedades antiestáticas, que reduz a aderência do pó e permite que o próprio vento contribua para a limpeza da superfície.

A perda de transmitância situa-se mais de 32% abaixo da de um vidro convencional e a vida útil é prolongada entre três e cinco anos.

Inclui ainda uma moldura reforçada (6.000 Pa na face frontal e 4.000 Pa na posterior) e funciona até 5 °C mais frio.

Foi o primeiro módulo do mundo a obter a certificação “Desert Module” da TÜV Rheinland, e a TÜV SÜD verificou uma perda inferior a 1% após 11.000 ciclos de limpeza robotizada sob carga de areia.

Foi concebido para grandes centrais fotovoltaicas no Médio Oriente, mas a sua abordagem é igualmente aplicável a zonas com episódios frequentes de poeiras em suspensão ou próximas de explorações agrícolas e pedreiras.

Resistência à corrosão

Os módulos da JA Solar superaram o ensaio de névoa salina IEC 61701 com severidade 6, segundo o duplo padrão da TÜV NORD, que duplica a duração habitual do ensaio, com uma perda de potência inferior a 2%.

Superaram igualmente o ensaio de dióxido de enxofre segundo a DIN EN ISO 6988, com 480 horas de exposição e uma degradação inferior a 5%.

Ambos os resultados têm aplicação direta em instalações costeiras, onde a névoa salina deteriora a moldura, a caixa de junção e o vidro, bem como em coberturas industriais próximas de atividades químicas ou pecuárias.

Importa salientar que estas campanhas de certificação são realizadas por famílias de produtos, pelo que é aconselhável verificar a ficha técnica do modelo específico antes de utilizar estes resultados como argumento de projeto.

DeepBlue 5.0

A geração seguinte da plataforma encontra-se em produção desde finais de 2025.

Utiliza a célula Bycium+ 5.0, com uma tensão de circuito aberto de aproximadamente 749 mV sobre wafer com 3 ppma de oxigénio, e incorpora interligação PII, encapsulamento de alta densidade HDP, otimização ótica UTG e reforço estrutural CSE.

O resultado é uma potência de até 670 W e uma eficiência de 24,8%.

No entanto, o dado mais relevante para o dimensionamento de projetos é outro: a JA Solar estima uma redução do LCOE de até 4,3% face ao 4.0 Pro.

 

Conclusão

Três formatos assentes na mesma base tecnológica:

  • JAM60D42: moldura preta para aplicações residenciais.
  • JAM72D40: referência para coberturas industriais e instalações no solo.
  • JAM66D46: projetos em que o custo do balanço do sistema é determinante.

Todos partilham célula Bycium+ n-type, vidro duplo bifacial com 80% de bifacialidade, arquitetura de 1.500 V e 30 anos de garantia de desempenho.

A escolha entre os diferentes formatos depende menos da potência nominal do que das condições concretas da instalação:

  1. Superfície disponível.
  2. Capacidade estrutural da cobertura.
  3. Acesso para a montagem.
  4. Albedo aproveitável.

Definidas estas quatro variáveis, o formato mais adequado fica praticamente determinado.

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