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Quando a potência já não é tudo

Quando a potência já não é tudo

Durante anos, escolher um módulo fotovoltaico reduziu-se a comparar potência e preço por watt. Essa lógica começa a ficar curta: cada vez mais projetos são decididos por variáveis que uma ficha técnica convencional quase não contempla, como o comportamento à sombra, a resposta ao calor, o encandeamento ou a classe de resistência ao fogo. Neste artigo analisamos por que razão a solução Hi-MO X10 da LONGi, construída sobre a célula back contact HPBC 2.0, responde precisamente a esta mudança de critério.

 

LONGi como fabricante

A LONGi Solar, fundada no ano 2000 em Xi'an (China), é atualmente o maior fabricante de módulos fotovoltaicos do mundo em volume de produção. Mantém o estatuto Tier 1 da BloombergNEF e um dos níveis de investimento em I&D mais elevados do setor, com marcos como o recorde mundial de eficiência em módulo de silício cristalino (25,4%) ou o recorde em célula tandem silício-perovskita (33,9%).

Mas o que realmente distingue a LONGi é a sua estratégia tecnológica. Enquanto a maior parte do mercado migrava de PERC para TOPCon, a LONGi decidiu levar toda a sua gama de geração distribuída para a arquitetura back contact, atualmente na sua segunda geração sob o nome HPBC 2.0. A família Hi-MO X10 é o resultado dessa aposta: uma plataforma concebida para coberturas residenciais, comerciais e industriais, apoiada por até 25 anos de garantia de produto e 30 anos de garantia de desempenho linear, com uma retenção mínima de 88,85% da potência nominal no final do período. A degradação garantida é inferior a 1% no primeiro ano e de 0,35% ao ano a partir do segundo.

 

A tecnologia: HPBC 2.0 sobre wafer TaiRay

Toda a gama Hi-MO X10 utiliza células HPBC 2.0 (Hybrid Passivated Back Contact) fabricadas sobre wafer monocristalino de tipo N TaiRay, desenvolvido internamente.

A ideia central do back contact é simples de enunciar e complexa de industrializar: transferir a totalidade dos contactos metálicos — positivos e negativos — para a parte posterior da célula. A face frontal fica assim completamente livre de busbars e fingers, eliminando o sombreamento que, numa célula convencional, bloqueia parte da radiação incidente. Na face posterior, a estrutura otimizada reduz a recombinação nos contactos e a resistência de contacto, aproximando a célula do seu limite teórico de eficiência.

No papel, trata-se de uma melhoria da eficiência. Em campo, traduz-se em quatro vantagens concretas:

  • Mais potência por superfície. A gama atinge até 24,8% de eficiência de módulo, acima do TOPCon de gama alta atual, e fornece cerca de 30 W mais do que um TOPCon do mesmo formato em condições idênticas.
  • Melhor resposta ao calor. O coeficiente de temperatura de potência é de −0,26%/°C, face aos −0,29/−0,30%/°C habituais em TOPCon. Pode parecer uma diferença pequena, mas em climas onde a célula trabalha quente durante boa parte do ano, acumula-se mês após mês no rendimento específico (kWh/kWp).
  • Tolerância ao sombreamento. É provavelmente o diferencial mais relevante da arquitetura BC. A topologia interna da célula limita o efeito das sombras parciais: a LONGi quantifica a redução das perdas por sombreamento em mais de 70% face a um módulo convencional. A gama possui a certificação Classe A de resistência ao sombreamento da TÜV Rheinland. Em coberturas reais — com chaminés, claraboias, antenas.
  • Fiabilidade mecânica e ambiental. A soldadura integralmente posterior reduz a tensão sobre a célula e melhora a resistência às microfissuras. A isto juntam-se os designs anti-poeiras e anti-humidade/calor — este último com vidro duplo e dupla camada de POE nas versões bifaciais —, que reduzem a degradação em ambientes húmidos, salinos ou com elevada carga de sujidade.

 

As configurações da gama

Sobre a mesma célula, a LONGi constrói a proposta do HI-MO X10 em várias configurações de módulo, cada uma orientada para um tipo de instalação:

  • Vidro simples monofacial, em formatos de grandes dimensões para instalação no solo e em grandes coberturas, onde predominam a potência por módulo e o custo por kWp.
  • Vidro duplo bifacial, que acrescenta a radiação refletida na face posterior sem ocupar superfície adicional e proporciona maior durabilidade em ambientes exigentes. É a opção natural para instalações no solo, coberturas de estacionamento e coberturas com albedo aproveitável, bem como para instalações costeiras e insulares, onde o vidro duplo faz a diferença perante a corrosão e a humidade.
  • Full black (série Artist), com face frontal sem busbars visíveis e acabamento preto homogéneo na célula, moldura e backsheet. O resultado visual é significativamente mais uniforme do que o de um full black convencional: a opção para o residencial onde a integração arquitetónica é um requisito, não uma preferência.

 

Os módulos de utilização específica

É aqui que a solução HI-MO X10 vai além do que oferece um catálogo convencional. A LONGi desenvolveu variantes que respondem a requisitos regulamentares ou de segurança concretos; referências que não competem pelo preço, mas que permitem concretizar projetos que, de outro modo, não avançariam.

 

Anti-Glare 2.0: encandeamento impercetível certificado

O módulo Guardian Anti-Glare incorpora um vidro frontal com microestrutura antirreflexo que reduz a refletividade total para 0,9%. E fá-lo sem penalizar a produção: a transmitância do vidro mantém-se em 93,8% ou superior, pelo que o módulo produz o mesmo que o seu equivalente standard.

A TÜV Rheinland verificou uma probabilidade de encandeamento diurno (DGP) de 0,29 segundo a norma EN 17037, dentro da categoria de “encandeamento impercetível”. A versão Anti-Glare Pro vai mais longe e alcança a classificação AAA, a mais elevada dessa escala.

A sua aplicação destina-se a projetos onde o estudo de encandeamento faz parte do processo de autorização: ambientes aeroportuários, proximidade de estradas e vias ferroviárias, edifícios urbanos com terceiros afetados. Nestes cenários, o vidro anti-glare não é uma melhoria opcional: é a condição que torna o projeto aprovável.

 

Fogo Classe A: segurança multicamada para cobertura

A variante resistente ao fogo do HI-MO X10, com arquitetura de 1.500 V DC, atua sobre os dois mecanismos que estão na origem da maioria dos incêndios em coberturas fotovoltaicas: o ponto quente e o arco de corrente contínua. A sua proteção é multicamada: uma estrutura de derivação de corrente em favo de mel que limita a formação de hotspots, uma vedação reforçada da caixa de junção que reduz o risco de arco, e encapsulante e caixa fabricados com materiais retardadores de chama.

Nos ensaios do fabricante, o módulo suportou chamas próximas de 1.000°C durante uma hora e meia sem perfuração estrutural, e possui a certificação de proteção contra incêndios Classe A da TÜV Rheinland.

 

Sombra Classe A: a certificação transversal

A resistência ao sombreamento Classe A da TÜV Rheinland não é uma variante independente, mas sim uma propriedade de toda a gama, embora mereça ser tratada como utilização específica pelo que permite: instalar em coberturas com obstáculos que levariam à exclusão de um módulo convencional devido às perdas de produção e ao risco de ponto quente. Em muitos destes cenários, reduz também a dependência de otimizadores, com a simplificação do sistema e da manutenção que isso implica.

 

Conclusão

A solução Hi-MO X10 reúne num único catálogo algo pouco frequente: uma arquitetura de célula diferenciadora — o back contact HPBC 2.0 — e um conjunto de configurações e variantes que abrange desde o vidro simples para instalações no solo até ao full black de integração estética, passando pelo bifacial de vidro duplo e pelas versões anti-glare e resistentes ao fogo.

A leitura de fundo é aquela que apontámos no início: o preço por watt já não decide sozinho. Em coberturas com sombreamento parcial, climas quentes, ambientes sensíveis ao encandeamento ou projetos com requisitos de proteção contra incêndios, a arquitetura back contact oferece um diferencial técnico mensurável e certificado. E num mercado onde cada vez mais projetos são ganhos ou perdidos nestas variáveis, dispor de uma plataforma que as resolve de origem é uma vantagem difícil de replicar.

Borja Santagueda

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